Nariz entupido em bebês: por que acontece, o que fazer e quando se preocupar?
Por que o bebê respira essencialmente pelo nariz ?
O bebê parece estar sempre com o nariz entupido? Faz barulhos para respirar, dorme incomodado ou precisa interromper a mamada para conseguir respirar?
A obstrução nasal em bebês é extremamente comum e, na maioria das vezes, não significa que exista uma doença importante. O problema é que, nessa idade, uma obstrução aparentemente pequena pode causar um desconforto muito maior do que causaria em um adulto.
Neste artigo, vou explicar por que isso acontece, como os pais podem ajudar a aliviar a congestão nasal e quais sinais indicam que o bebê deve ser avaliado por um médico.
Por que o nariz do bebê entope com tanta facilidade?
A primeira explicação é bastante simples: o nariz e as vias aéreas do bebê são muito pequenos.
Por isso, uma pequena quantidade de secreção ou um discreto inchaço da mucosa nasal já pode reduzir significativamente o espaço disponível para a passagem do ar.
Além disso, a anatomia das vias aéreas do bebê é diferente da de uma criança maior ou de um adulto. A língua ocupa proporcionalmente mais espaço na cavidade oral e a laringe e a epiglote apresentam posição mais elevada.
Essa configuração anatômica, entre outros fatores, favorece a respiração predominantemente nasal nos primeiros meses de vida. Por isso, embora um bebê possa respirar pela boca em determinadas circunstâncias, a obstrução do nariz tende a incomodá-lo muito mais.
É comum perceber:
- barulho durante a respiração;
- dificuldade para dormir;
- irritabilidade;
- dificuldade ou interrupções durante a mamada;
- secreção nasal;
- sensação de que o bebê está constantemente congestionado.
E um ponto importante: nariz entupido não significa necessariamente gripe, rinite ou sinusite.
Infecções virais, secreções, baixa umidade do ar, irritantes ambientais e as próprias características anatômicas dessa fase da vida podem provocar congestão nasal.
O que fazer quando o bebê está com o nariz entupido?
Uma das medidas mais simples e úteis é a higiene nasal com solução salina.
O soro fisiológico ajuda a hidratar a mucosa, fluidificar as secreções e facilitar sua eliminação.
Uma dúvida muito comum no consultório é:
“Posso fazer lavagem nasal em um bebê?”
Sim. Entretanto, a técnica precisa ser adequada à idade e à situação.
Lavagem nasal em bebê não significa necessariamente utilizar grandes volumes de soro ou aplicar muita pressão. Dependendo da idade, da intensidade da secreção e do objetivo da lavagem, podemos utilizar diferentes formas de aplicação.
Quando o bebê está congestionado, dois momentos podem ser particularmente úteis para realizar a higiene nasal: antes das mamadas e antes de dormir.
Isso acontece porque o bebê precisa coordenar sucção, deglutição e respiração durante a mamada. Se o nariz estiver muito obstruído, essa tarefa pode ficar consideravelmente mais difícil.
E os descongestionantes nasais?
Aqui é preciso cuidado.
Descongestionantes nasais vasoconstritores não devem ser utilizados em bebês por conta própria.
Medicamentos que adultos utilizam para aliviar rapidamente a congestão nasal não devem simplesmente ser adaptados para crianças pequenas.
O nariz do bebê não é apenas uma versão menor do nariz de um adulto.
Como saber se é apenas congestão ou dificuldade para respirar?
Essa talvez seja a informação mais importante deste artigo.
Quando o bebê está congestionado, os pais naturalmente prestam muita atenção ao nariz. Mas, para identificar uma possível situação de maior gravidade, precisamos olhar para o bebê como um todo.
Observe como ele está respirando.
Respiração muito rápida, esforço importante para respirar, retrações entre ou abaixo das costelas e alterações da coloração da pele ou dos lábios são sinais que exigem avaliação médica.
Também é importante observar a alimentação.
Uma congestão nasal pode fazer o bebê interromper ocasionalmente a mamada para respirar. Entretanto, se ele não consegue se alimentar adequadamente, passa a ingerir muito menos leite ou apresenta sinais de desidratação, precisa ser avaliado.
O estado geral também importa. Prostração, dificuldade incomum para acordar, febre — especialmente nos bebês muito pequenos — ou uma mudança significativa de comportamento merecem atenção.
Diante de dificuldade respiratória importante, alteração da coloração ou comprometimento relevante do estado geral, a avaliação deve ser imediata.
E quando o bebê está sempre com o nariz entupido?
Existe uma situação diferente.
O bebê não parece estar passando por uma emergência, mas praticamente nunca respira bem pelo nariz.
O resfriado passou, não há uma infecção evidente, mas a obstrução continua.
Quando a obstrução nasal é persistente, muito intensa, predominantemente de um lado ou está presente desde o nascimento, pode ser necessário investigar outras causas.
Quais doenças podem causar obstrução nasal persistente no bebê?
Uma possibilidade é a hipertrofia da adenoide.
A adenoide é um tecido localizado na região posterior do nariz, chamada nasofaringe. Quando está aumentada, pode reduzir a passagem do ar. Embora a hipertrofia adenoideana seja muito mais lembrada em crianças maiores, ela também pode causar sintomas em crianças pequenas.
Alterações anatômicas também podem contribuir para a obstrução, como um desvio importante do septo nasal, inclusive relacionado ao desenvolvimento ou ao trauma do nascimento.
Existem ainda algumas alterações congênitas mais raras.
Atresia de coana
Na atresia de coana, existe um bloqueio da comunicação entre a região posterior da cavidade nasal e a nasofaringe.
Ela pode ocorrer apenas de um lado ou bilateralmente.
Quando bilateral e significativa, pode provocar dificuldade respiratória importante desde os primeiros momentos de vida, justamente pela grande dependência da respiração nasal nessa fase.
Estenose congênita da abertura piriforme
Outra condição rara é a estenose congênita da abertura piriforme.
Nesse caso, a porção óssea anterior da cavidade nasal é excessivamente estreita, reduzindo o espaço disponível para a passagem do ar.
Dependendo do grau de estreitamento, a criança pode apresentar dificuldade respiratória e dificuldade durante a alimentação.
Cistos, massas e outras alterações
Mais raramente, cistos, massas e outras alterações congênitas podem ocupar a cavidade nasal ou a nasofaringe e provocar obstrução.
Isso não significa que os pais devam tentar identificar essas doenças em casa.
Pelo contrário: a enorme maioria dos episódios de nariz entupido em bebês não acontece por causa dessas condições raras.
O importante é reconhecer o padrão que foge do esperado.
Quando procurar o otorrinolaringologista?
Uma congestão nasal passageira é muito comum durante a infância.
Por outro lado, vale procurar avaliação quando a obstrução é persistente, muito intensa, predominantemente unilateral, está presente desde o nascimento, interfere frequentemente na alimentação ou no sono ou vem acompanhada de dificuldade respiratória.
Dependendo do caso, o exame otorrinolaringológico e, quando indicado, a avaliação da cavidade nasal e da nasofaringe podem ajudar a identificar a causa.
A mensagem mais importante para os pais
Um bebê ficar com o nariz entupido de vez em quando é extremamente comum.
O que merece atenção é o bebê que apresenta dificuldade para respirar, não consegue se alimentar adequadamente ou praticamente nunca consegue respirar bem pelo nariz.
Nesses casos, em vez de simplesmente tentar diferentes medicamentos ou soluções caseiras, é importante entender por que aquele nariz está obstruído.










